better than the web thing

20.11.14
#betterthanthewebthing daqui a pouco no blog silviasilva.com Foi no início deste mês que fui ao Porto almoçar à Cantina 32 com uma companhia muito especial: a Ana do Tapas na Língua e a Daniela do Boop.
Nós não somos amigas de longa data, nem nos cruzamos no dia-a-dia, aliás só conheci pessoalmente a Daniela há bem pouco tempo e a Ana, que é quase vizinha, conheci pois foi um dos primeiros blogs que desenhei (com muito orgulho).
E o que nos liga? Esses mesmos blogs.
O que nos fez marcar um almoço e passar horas à conversa, foi apenas o simples facto de sermos leitoras dos blogs umas das outras, sabendo de alguma forma, que a pessoa por trás das fotos e das palavras tem algo com que cada uma de nós se identifica.
E falhou? Nem um bocado. A sensação de estar com elas numa mesa à conversa com um bom copo de vinho é a mesma que se tem com amigos de longa data. A conversa é fluída, o à vontade natural e o riso normal. Não há momentos de estranheza, porque ali, os temas de conversa são normais. Podem achar que falamos dos blogs e daquilo que fazemos com eles, mas nem é verdade, claro que vem sempre à conversa, mas fala-se essencialmente da vida.
É fácil para mim perceber porque gosto de estar com a Ana e a Daniela, e a razão anda muito próxima do registo do blog de cada uma. Um registo pessoal, despretensioso, genuíno. E as pessoas que o escrevem são também um pouco o que as suas páginas transmitem.
É bom deixar os ecrãs por uns momentos e saltar para uma mesa de restaurante com as pessoas que gostamos de seguir, porque o óbvio confirma-se quase sempre: a versão 'carne e osso' supera e muito a virtual!
Obrigada à Ana e à Daniela por me proporcionarem estes bons momentos, espero que a repetir muito em breve!

(foto do Porto Fashion Makers e a última da autoria da Ana Morais, onde estou eu e a Daniela a aproveitar o sol de Outono na Rua das Flores).

pelo bom caminho

16.11.14
#bestyogapractice #yoganagranja #theroadtosomewhere Estou a adorar as minhas aulas de yoga. O local, só por si deixa-me sempre bem disposta e as aulas têm me feito muito bem. Esta é uma rua lá perto, adorava mostrar-vos o sítio, mas seria invasivo demais para as restantes pessoas, é um dos espaços mais bonitos onde estive nos últimos tempos.

Por aqui as coisas começam a ganhar cada vez mais forma, as pessoas boas que têm cruzado o meu caminho são cada vez mais e vou esquecendo outros episódios menos felizes que me desgastaram no passado. Há agora novamente espaço para a construção na minha cabeça. Abrir as portas e partilhar, esse é mote para os próximos meses, na vida e no trabalho.

Estou agora a fazer exames às veias e ao sangue para ver se o episódio 'trombose' se pode fechar na minha cabeça e corpo, a esperança que assim o seja no próximo mês é muita, mas vamos ver e esperar.

Gosto do Outono.
Bom Domingo pessoas.



taylor who?

10.11.14
Diz que anda por aí uma jovem cantora que retirou as usas músicas do spotify.
Sinceramente nem dei por nada, lamento.
Já estas duas bem mais giras e interessantes jovens andam a tocar os seus incríveis violinos pela web fora, e estas sim eu teria muita pena de não ter conhecido através do youtube. É que no caso desta música, ver e ouvir completam-se.
Digam lá se elas não têm pinta?


Coisas bem feitas

4.11.14

O Alfaiate Lisboeta é um blog conhecido por muitos pelas suas (boas) fotografias de 'estilo de rua'. O seu autor já há muito que saltou das páginas do seu blog para outros projectos que o levaram pelo mundo da moda e da comunicação fora da dimensão de blog.

Hoje fiquei a conhecer a sua loja online: a J. Lisbon. E tenho de aplaudir o conceito, porque o que o José Cabral fez aqui, foi bem feito.
Ele conseguiu pegar num conceito online e aproximá-lo do conceito de loja personalizada, pois usou a sua imagem, a fotografia que o caracterizou durante tantos anos, as mesmas pessoas reais, as mesmas ruas do blog, as peças de roupa que o caracterizam a ele em termos de estilo. E falou. Por cada peça da sua loja ele escreve. E escreve bem.
É como se entrássemos numa loja de alguém que conhecemos há anos e ela nos fala com orgulho da peça que tem exposta.
Está bem feito, sobre o conteúdo, não explorei muito as roupas, mas identifiquei alguns homens que estava habituada a ver no seu blog. O mesmo estilo, a mesma luz, a mesma descontracção, as mesmas caras. Ele próprio.

É este o conceito que os blogs têm e que aproxima as pessoas, mas que muitos blogs estão a perder em detrimento de procurarem uma imagem de revista, tudo produzido, tudo pensado, tudo editado, muitas fotografias, poucas palavras, poucas opiniões. E é aí que começa a perder a graça.
Ele conseguiu um bom equilíbrio entre o estilo de rua e as pessoas com que nos cruzamos e uma montra online. Sem perder qualidade, sem perder cuidado, como aliás já era característico das suas fotos na rua.
Para além disso tudo é uma loja de homem. E fazia falta uma loja só para homens.

'se se meterem contigo nunca respondas'

3.11.14
Já toda a gente viu este filme que circula pelas redes sociais. Já muita gente se identificou e outra tanta o condenou e ridicularizou. Afinal alguns homens apenas estão a dizer 'olá' à rapariga, não é? Pois eu concordo com o que a jornalista Fernanda Câncio escreveu nas páginas do DN e posso explicar-vos porquê.

Há muito que perdi a conta ao número de vezes que fui abordada por homens na rua com frases e gestos humilhantes e degradantes para mim enquanto criança, adolescente e mulher. Podia contar-vos muitas histórias, mas tenho a certeza que todas as raparigas que lêem este blog sabem de umas quantas. Para os homens que podem não entender bem, posso dizer-vos que em Portugal os piropos de rua são geralmente de cariz pornográfico.
E não nos ficamos apenas por palavras, há também gestos que incluem tocar em mulheres nos transportes públicos, há também o grupo de rapazes que persegue uma rapariga num local de diversão nocturna e que o que muitas vezes parece apenas uma brincadeira, por vezes se torna terror para a mulher em causa.

E o que acontece em todas estas situações? A mulher cala-se, encolhe-se envergonhada, corre e esconde-se do possível agressor. Sim, proferir palavras pode ser uma agressão.
E não diz a ninguém. Tem vergonha. Afinal, foi apenas um piropo. Não aconteceu nada. Segue as instruções de outras mulheres mais velhas que dizem: "se se meterem contigo nunca respondas".

Foi já na faculdade, a caminho da estação que passava repetidamente por um local, onde um homem, que podia ser meu avô proferia as coisas mais porcas que eu me lembro de ouvir, sempre de cariz pornográfico. Sempre que eu passava, quase todos os dias por ali. E muitas vezes mudei de rua, e muitas vezes encarei o chão fazendo de conta que não era nada comigo. E muitas vezes apanhava o comboio com a mesma sensação de enjoo. Será que aquele homem tinha família, filhas, netas?
Até ao dia. Passei. As mesmas palavras de ofensa. Encarei o chão, acelerei o passo. Parei. Respirei fundo. Voltei para trás. Dirigi-me a ele de cabeça bem erguida e bem maior do que ele. Perguntei-lhe com quem é que ele achava que estava a falar. Falei alto e com bom som. Pedi-lhe para repetir o que tinha acabado de dizer. Ameacei chamar a polícia. Todas as pessoas ouviram. Foi um momento embaraçoso. O homem fugiu com a passada de rato que o caracterizava. Eu nem sentia as minhas pernas de tão nervosa que estava.

A única pergunta que me fica na cabeça de todas estas ocasiões é: quem são estes homens? Porquê? E aos homens que lêem estas linhas e que não se identificam com a descrição que faço aqui do seu género, vocês não fazem a menor ideia do que uma mulher ouve e vê ao que ao assédio nas ruas diz respeito, porque se fizessem ficavam aterrorizados.

Escrevo isto aqui hoje, porque sou mãe de duas miúdas. A elas vou ter de lhes ensinar: "se se meterem contigo, grita!"





I could live here

1.11.14


A casa da Isabelle do blog DOS FAMILY está à venda e ela fez um post a falar sobre a sua história, tudo o que lá viveram, o que transformaram e o significado que este sítio tem para ela e para a sua família. E eu compreendo bem todas as palavras que ela partilha sobre a casa, porque acho que as casas também têm um bocadinho de nós, uma história, uma sensação.
Sorte daqueles que virão a seguir e podem partir desta 'tela' tão bem desenhada para começar  a sua vida.

Eu por aqui não vou claramente comprar o apartamento da Isabelle, mas gosto muito deste espaço. Apesar de adorar ver as casa nórdicas, super brancas e clean, eu preciso de um pouco de drama na minha vida caseira, cor, padrões, misturas improváveis, objectos, memórias, tudo isso faz parte de mim, por mais que tentasse uma abordagem mais 'clean', nunca iria ter bons resultados.
Gosto deste apartamento, da luz, da cozinha, das cores, da decoração.
Enfim, eu poderia mesmo viver aqui!

(todas as fotografias deste post são propriedade do blog Dos Family)









se vai chover que sejam flores @ la redoute

31.10.14

No outro dia escrevi um post para o Magazine de Tendências da La Redoute sobre a chuva e as flores (a chuva ainda não chegou, mas pelo menos posso sempre contar com as flores:D). Dois temas que parecem nada ter a ver, mas que para quem der uma vista de olhos à marca Derhy no catálogo da La Redoute, vai perceber como os dois conceitos podem se conjugar perfeitamente.
Este casaco lindo da foto já está a viajar cá para casa e vai acompanhar-me durante todo o Inverno. Não há muitos casacos de chuva que me deixem tão feliz como este.
Também ficava feliz com a blusa bordada, mas essa ficou para outros campeonatos:)


*sou blogger residente do Magazine de Tendências da La Redoute, colaborando desta forma com a marca, mas os posts no meu blog são da minha inteira responsabilidade e vontade.

miúdos anos 80

29.10.14
Quando eu era miúda não haviam estrelas Disney, nem DVD e canais de televisão a debitar coisas de criança.
Eu vibrava com estes filmes de dança: o Footloose, o Flashdance, a Fame.
Ainda hoje guardo alguns vinis que os meus pais me deram, e sempre que ouço estas músicas é como se fosse hoje!
Lembro-me de ir para as aulas de ballet com camisolas de fato de treino e perneiras a imitar os meus ídolos e ouvir a professora (espanhola) gritar comigo:
"Sílvia, pensas que a vida é um circo? Vai-te vestir em condições!"
"Querida Conchita, hoje tenho 36 anos, não dei bailarina como podes ver, tinhas razão, mas continuo a vestir-me como se a vida fosse um circo. E não é que resulta?"

[want]: fine little day book

27.10.14




Acabou de ser lançado o livro do blog Fine Little Day. Para quem como eu é leitora do blog há tantos anos e o usa como inspiração visual frequentemente, apreciando cada detalhe e fotografia das suas casas, lugares, paisagens, objectos e inspirações, será um prazer guardar uma cópia deste livro que me trará momentos de pura contemplação fora da web.
Ainda estou esperançada que venha aí a versão inglesa, porque para além das fotografias quero ler todas as palavras que a Elisabeth Dunker escolheu usar no livro.
Parabéns ao Fine Little Day, porque conseguir de forma continuada e coerente ser sempre um blog original e espontâneo, e por agora passar para o papel aquilo que tem vindo a fazer sempre tão bem. Mais do que merecido!


living on a tree

26.10.14
Treehouse by Peter Bahouth


All images © 2011 Lindsay Appel
(via Ignant)

found it

25.10.14
#foundit Há anos (muitos!) que não pratico desporto. Se numa altura da minha vida o movimento fazia parte do dia a dia, pela sua agitação e por actividades que requeriam mais destreza física, agora tudo indica para o sedentarismo.
Eu tenho uma total ausência de força de vontade de fazer o que quer que seja relacionado com desporto, caminhar, correr, ginásios, etc. Para mim mexer-me nunca foi um desporto, mas sim um meio para atingir um fim.
Depois da trombose fui aconselhada a caminhadas diárias de 30 minutos, ou a praticar uma actividade leve mas continuada. E eu sei que tenho de o fazer, sei mesmo, às vezes caminho, outras vezes tento fazer amizade com a bicicleta elíptica que tenho em casa, mas nenhuma delas me agarra. Estou constantemente a pensar quando é que aquilo acaba. Já chega? E a minha cabeça viaja para todas as coisas que quero fazer quando sair dali.
E não, não sou daqueles seres abençoados pela genética com tudo no sítio sem nada fazer. Por aqui, depois de duas gravidezes e zero desporto, as coisas já não são as mesmas, três kg acima do que era normal antes de ser mãe, mas que de alguma forma já me habituei e confesso que não ligo muito a isso, devia ligar, mas não ligo. A massa muscular já desapareceu há muito e a flexibilidade foi pelo mesmo caminho. A postura anda pelas ruas da amargura e os abdominais há muito que não dão o ar da sua graça.
Mas eu tento, a trombose criou em mim um aviso permanente que eu não consigo ignorar. Já fui a ginásios, tentei aulas em conjunto, procurei grupos de tudo e mais alguma coisa. Raramente passo da primeira experiência, porque sei imediatamente quando uma coisa não é para mim, não me iludo muito. Tenho ainda muitas restrições de horário familiar que me impedem de fazer parte da maioria das aulas e que também servem como desculpa mental para mim própria por não conseguir.

Mas ontem encontrei. O sítio. A actividade. A vontade.
Um grupo de Yoga aqui bem perto de casa, no sítio mais bonito que podia estar, com um ambiente descontraído, mas muito profissional e dedicado. E vou ficar. E vou tentar com toda as minhas energias e dedicação levar as aulas de forma contínua e séria. Começo com uma aula semanal, mas quero fazer pelo menos duas. Quero que o meu corpo sinta, a minha cabeça desligue, a minha postura volte e eu encontre em mim a energia e a vontade de cuidar de um corpo que é só meu e que só eu posso estimar.

A fazer figas!


#clogsandsocks

23.10.14
Sou a feliz proprietária de umas clogs lindas destas em amarelo que o marido cá de casa me ofereceu em modo super surpresa histérica (eu histérica, ele apenas incrédulo com o que um par de sapatos pode provocar numa mulher).
No Verão fizeram bem a sua função e posso dizer-vos que para além de confortáveis, dão o toque especial a qualquer 'trapo' que decidam usar. Pelo menos para mim, que sou uma pessoa do tipo 'bloco de cores' (acabei de inventar isto:D).
Estava a dar-lhes as últimas oportunidades estes dias em que o sol espreitou com força, mas também já estava preparada para as encostar durante algum tempo. Hoje vi a foto da Fancy Treehouse, com umas como as minhas, e com roupa de Outono e achei que podia fazer todo o sentido, na meia estação colocar umas meias com as minhas clogs. Sei bem que faz lembrar o turista com as birkenstock e a meia branca, sei bem disso, mas acho que gosto muito para não experimentar! Faltam-me é umas meias à altura, tipo estas!
E vocês? O que acham?

(todas as fotografias via FB Swedish Hasbeens)

genius @ work

22.10.14

Björk: Biophilia Live
"A new film captures the Icelandic singer's groundbreaking project Biophilia Live brings to a close an intense few years of activity from one of the most inventive artists working in the world of music. Björk’s Biophilia project has looked to engage with ideas surrounding nature—from climate change to the wonders of biodiversity—and the educational potential of touchscreen technology. It has simultaneously manifested itself in the form of an album, an app, an educational programme, and a beguiling live experience: today’s excerpt from Peter Strickland and Nick Fenton’s documentary captures the magic of the latter with the Icelandic singer's performance of "Moon," at London's Alexandra Palace."

ler mais em nowness

Xiomara Marques

20.10.14
Conheço (pouco) a Xiomara há uns bons anos de outros 'lugares' que não a internet. Mas são as suas fotografias e o seu percurso na web a mostrar o incrível trabalho que faz, que tenho seguido atentamente e que não pára de me surpreender.
Se hoje há muitos novos fotógrafos a aparecer pela internet fora, alguns deles reconhecidamente bons, há qualquer coisa na fotografia da Xiomara que a distingue. Não sei explicar o que será porque não percebo nada dessa técnica, mas sei que quando vejo uma rua ou um restaurante, um perfil de uma pessoa a aparecer no meu feed identifico de imediato que é dela.
Tenho a certeza que bons ventos vão soprar para estes lados, porque o trabalho que já fez é muito e bom para não ser reconhecido. A ela desejo que esse olho, essa visão especial através da lente não se perca nunca, porque é aí que reside a magia!
Sei que muita gente por aqui já segue o trabalho da Xiomara, mas para quem ainda não conhece vale bem a pena visitar o novo site que ela lançou hoje e ver atentamente cada um dos separadores, prometo que não se vão arrepender, é por aqui:
xiomaramarques.com

(todas as fotografias deste post são da autoria de Xiomara Marques)


'We want to read about characters that win'

17.10.14

Hoje no Humans of New York, a afirmação deste homem relembrou-me algo que penso por aqui vezes e vezes sem conta.

“I’ve written so many stories and novellas that nobody will look at, plays that I can’t get produced, screenplays that will never be made. Everything is so branded these days in the art world, it’s so hard for an outsider to get work.” 
“In what way would you consider yourself an ‘outsider?’” 
“I’m interested in failure, so those are the themes that I like to explore. But we live in a society that celebrates triumphalism. A society wants art that reaffirms itself. We want to read about characters that win.” 
“What was your lowest moment as an artist?” 
“I worked on a screenplay for two years, and it had just been turned down by the fifth theater in a month, and I remember walking down 5th avenue in the middle of winter, tossing the pages one by one into the slush, vowing never to do it again. It was just a few blocks from here, actually.”

E é isso, também aqui pelos lados da internet se vive o mesmo que nas artes.
Há os extremos, a internet que parece que só celebra o lado bom e bonito da vida, desde as fotografias bonitas, às frases inspiradoras, aos posts sobre mudança de vida, ao exercício físico, casas e roupas bonitas, viagens pelo mundo, etc, etc. Por outro lado temos a internet que se dedica ao escárnio e mal dizer, que é o oposto desta, mas nem por isso mais verdadeira.

E a falha? E os projectos que nunca saem da gaveta? E as tentativas sucessivas sem qualquer sucesso? E os corpos imperfeitos? E a roupa velha e sem graça? E a cara de quem apanhou um murro logo pela manhã? E os amores que nunca venceram? E o desemprego? E as traições? E as desilusões? Ninguém usa? Ninguém tem? Ninguém vive? Ninguém falha?

Eu falho, porque muitas vezes quando sinto que estou num desses momentos, fecho-me e não digo nada, ou o que digo nada quer dizer. O que interessa ao mundo o nosso falhanço se não houver um final feliz? Se não houver uma motivação boa, um encorajamento ao começar de novo, ao fazer e acontecer? Se calhar não interessa nada e as 'massas' não querem ler blogs deprimentes, isentos de glamour e de detalhes fofos.

Eu abro o meu instagram e só vejo coisas fixes. Mesmo! Desde fotografias bonitas, trabalho artístico, a viagens pelo mundo, selfies bem dispostas, roupas novas, frases encorajadoras, comida saudável, famílias felizes. Eu também gosto de ter um instagram bonito, com cor e imagens que me trazem boas sensações, não quero ter um instagram que me lembre do menos bom, para quê?
No outro dia li um post da Garance Doré que falava sobre isso e em que ela dizia que os amigos lhe ligavam e partiam do princípio que ela estava super bem graças às fotos no seu IG, quando ela tinha acabado de se separar, sair de casa, e estava a passar um mau bocado. As redes sociais não são mesmo a vida real, nunca vão ser, mas que têm grande influência na forma como os outros nos vêem, isso é certo, principalmente se os outros estão distantes fisicamente de nós.

Quando tive a trombose e falei dela por aqui, tive muitas reacções de pessoas interessadas em ajudar e preocupadas, mas também li o comentário sarcástico daquele que publica isso porque quer chamar a atenção.
É preciso peso e medida, entre o virtual e o real, é preciso desligar frequentemente o cérebro e o coração de uma máquina que não é a vida.
Mas também é preciso falar da vida, do falhanço e dos finais que não são felizes. Porque faz parte. Porque se também aqui tudo acaba bem, com os bons de um lado e os maus do outro, então mais vale mesmo ver as telenovelas, porque lá sabemos que está tudo feito para ser assim.



das pessoas

16.10.14
#moving#daspessoas #postais @pippinha Esta semana fui a Lisboa.
Visitei a LX Factory, o Cowork, trabalhei com a Filipa, conheci a Ana e a Marta ao vivo e a cores e descobri tantos outros trabalhos e pessoas como é o caso do Vitorino Coragem.

Eu vivo longe da cidade, das filas de trânsito e da correria, trabalho em casa e perto da praia, com todo o conforto que isso me pode trazer, mas sinto falta das pessoas.
De me cruzar com pessoas, lugares e cores. De descobrir acidentalmente outras vidas, outras visões, saltar fora da minha bolha e ver a dos outros. Conversar, trocar ideias.

Parece tão simples, mas não é. Quem trabalha como eu, sozinha, em que conheço muita gente, porque quase todas as semanas troco de trabalho, mas ao mesmo tempo não me cruzo quase com ninguém. Não sei se as pessoas são altas ou baixas, se riem muito ou se queixam, ou o que pensam do tempo ou da cidade, as palavras banais que ocupam muitas vezes tempo e espaço, mas que também fazem falta: olá, bom dia, estás boa, até logo, até amanhã.

Esta semana abri a caixa de correio com a minha filha, que já sabe que de lá só vem publicidade ou contas, e eis que estava lá um pequeno rectângulo de papel vindo da Rússia e escrito à mão.
'O que é isso mãe?'
'É um postal'
'De uma pessoa? Uma pessoa que escreveu para ti?' 'De outro país?' 'Não disseste que no correio só vinham contas?'
'Enganei-me filha, há pessoas que escrevem em papel, e enviam postais, que podem vir de qualquer parte do mundo. Pessoas que se lembram das outras pessoas.'
'Mãe, também quero escrever um postal'

Obrigada Filipa, pelo postal e por provares à minha filha de 6 anos o quão bom é recebermos este rectângulo de papel com umas linhas de texto vindo de outra parte do mundo.
Façam parte do desafio da Filipa aqui.



escravos do e-mail

13.10.14
Síndrome dos desorganizados, 18 tarefas urgentes para implementar e um cérebro que se ocupa em arranjar pontos de fuga desviando-me do 'caminho'.  #chateadacomigo #looklikeshitdays O gmail é o meu melhor amigo.
Fala comigo, traz-me novos amigos, oferece-me notícias, dá-me trabalho, substitui a minha memória, permite-me fazer chamadas ao vivo e a cores sem pagar um tostão e diz-me todos os dias o quão a minha vida está mais ou menos organizada pelo número de mails que tenho por ler.
Os mails que eu tenho por ler já não são spam, nem publicidade, nem comentários de redes sociais, nem nenhuma dessas coisas que já nem lemos, não, esses já são automaticamente geridos pelo meu melhor amigo.
Os que estão ali a dizer 'Sílvia estás lixada' todos os dias representam todas as coisas nas quais estou a falhar. Trabalho que não agarrei, perguntas que não respondi, propostas que não fiz, reclamações, questões, opiniões e dúvidas sem fim.
Há quem fique mesmo muito chateado por não receber resposta rápida ao seu e-mail, eu se calhar sou (fui) uma dessas pessoas, mas não sou mais. O meu melhor amigo mostrou-me que me bate em tudo, na organização e na velocidade com que me debita coisas no inbox que não tenho capacidade de gerir.
A determinada altura sinto que é ele que comanda a minha vida e chego a temer o momento em que o abro, se vai ficar recheado de rosas ou se me atira com ovos podres mal começo a trabalhar.
Amanhã começa uma nova semana, que venham as rosas ou os ovos podres, não consigo viver sem ele, mas passo o dia a tentar acabar com ele. É uma luta. É uma escravidão.

Follow my blog with Bloglovin

lacunas femininas

10.10.14
Eu tenho grandes problemas em comprar jeans.
Nas lojas de shopping posso dizer que tenho dificuldade em comprar qualquer tipo de calças. Um dos principais problemas por que isso acontece é que eu não tenho, nunca tive, nem nunca hei-de ter umas 'thigh gap'.
Este ano queria comprar umas calças de ganga, apenas umas, que fossem mesmo boas e me ficassem mesmo bem, que eu pudesse usar em qualquer ocasião. Confesso que ainda não comecei a procurar porque experimentar calças de ganga deixa-me irritada, com vontade de gritar nas lojas:
'mas porque raio é que as calças de ganga agora são todas 'skinny' e elásticas? e porque é que um 38 numas calças de ganga parece um 30? e porque é que todas devemos querer andar de meias e fazer de conta que são calças? e porque é que as pernas são do diâmetro do tubo de escape de um carro? designers de jeans, quantas mulheres nuas é que vocês já viram na vida? quer dizer ao vivo, sem ser no ecrã e sem photoshop?'





O vídeo é uma boa sátira à forma como as marcas e a publicidade moldam o pensamento feminino, dá para rir, mas também devia dar para pensar.

(vídeo via 30 picos e tal)

as minhas escolhas @ luxwoman

5.10.14

Hoje podem ler no site da Luxwoman um pequeno artigo com as minhas escolhas, algo sobre mim e sobre os meus gostos, locais, comidas, pessoas, leituras, etc.
Espero que gostem!

the Miranda

3.10.14

Miranda July Introduces The Miranda from WELCOMECOMPANIONS on Vimeo.

Quando a Miranda July se junta a uma linha de carteiras só podia dar nisto:)
Adoro!

(Via Vogue.com)



she's the coolest

1.10.14


Sabem aquelas pessoas que parecem sempre bonitas com zero esforço? Pois, para mim, nesta web louca das imagens e dos perfis e dos blogs, a Garance Doré é a personificação disso mesmo.
'Effortlessly chic' talvez seja a expressão mais comum para este tipo de pessoas. Não sei se há ou não esforço, se tem ou não as melhores roupas, sei que escreve um dos melhores blogs de moda, e que sempre que a sua cara aparece por essa web fora, eu fico sempre com a mesma expressão estampada na minha: 'damn'!

(fotos: lookbook da Zara)

filosofia barata

29.9.14

FASHION FILM from Matthew Frost on Vimeo.

Mundos etéreos feitos de roupa especial, sapatos, objectos e flores, cobertos de uma neblina qualquer, que tecnicamente se chama de filtro, com um toque urbano depressivo. Da mulher artista, que não vive no mundo das pessoas normais, vive lá no paralelo onde tudo é belo.
Pá, quem é que aguenta isto?
Depois saem coisas destas que nos fazem rir, têm mesmo de fazer, não é?

Boa semana pessoas. Boa semana!

(via FB Lia Ferreira)

better than the real thing

24.9.14
Today is a super lady day! #superlady #anewday Tenho uma coisa por covers, gosto, não sei porquê, e acho que há uma série delas que são melhores do que o original, como é o caso desta versão da música dos Daft Punk, por Daughter.

Na imagem a t-shirt super lady da A New Day, que me faz sentir com mais energia do que o costume, que anda assim muito próximo do zero.
É tão difícil para mim nos dias que correm encontrar inspiração no trabalho dos outros, e não é pelo que os outros fazem, é por mim.
Mas o trabalho da Margarida Girão inspira-me seja na versão ilustração, na versão t-shirt ou na versão comunicação nas redes sociais.
E esta música dá-me uma vontade enorme de dançar. Ai dançar...a falta que faz dançar!

 

o que está por dentro é que interessa

22.9.14


Sim, uma boa roupa interior, de algodão e com qualidade faz maravilhas ao corpo e à mente.
E não, não sou apologista de conjuntos que se dizem a condizer, para mim são duas partes diferentes e separadas, cada uma com a sua cor e feitio.
Conforto é a palavra de ordem e cor, gosto de cor.

Este linha de interiores é da designer Daphne Javitch e foi 'designed to be the “perfect cotton undies” and channeling style icons of the 1960s and ’70s—think Diane Keaton and Jane Birkin.'

Para ver esta e outras colecções basta visitar o site da marca TEN.

todos iguais, todos iguais

19.9.14
#casamaurana #miudasgiras Se há uma altura da nossa vida em que prezamos a diferença, pelo menos alguns de nós (eu prezo muito), outras há em que não ser igual a todos os outros é uma grande chatice.
A minha filha ontem estava triste porque gozavam com ela por causa da capa da chuva.
Tem umas orelhas no carapuço. (sendo sincera, era a única capa de chuva no hipermercado).
E qual o problema das orelhas? Dizem que é de bebé.

Mas então e o que as tuas amigas que gozam com as orelhas usam?
A Violeta.
Mas quem é essa?
Pois mãe, eu precisava de saber melhor quem é a Violeta, só vi uma vez, porque na nossa televisão não temos e eu não sei. As minhas amigas adoram.

Mas sabes filha, tu não precisas de gostar do que elas gostam, se gostas da tua capa, deves defender os teus gostos. Não somos todos iguais, se assim fosse o mundo era uma grande seca.
Pois. Pois.
A capa está pendurada para os dias em que não tiver de ir à escola, para já ela prefere apanhar chuva pela cabeça abaixo do que ouvir risadas sobre ela.
Quer ser igual a todas as outras.


AddThis